APRESENTAÇÃO

O Núcleo de Estudos sobre África e Brasil (NEAB), da Universidade de Pernambuco, inaugurado oficialmente em 02 de abril de 2008 e aprovado pela Resolução CONSUN nº. 009/2013, de 26 de março de 2013, foi criado pelo grupo de pesquisa Identidades Culturais: preservação e transitoriedade na cultura afro-brasileira, tendo como objetivo “contribuir, por meio do ensino, pesquisa e extensão para o debate em torno da qualidade de vida das comunidades afro-descendentes, na busca de minimizar as desigualdades sociais para o exercício da cidadania”.
É constituído por várias áreas do conhecimento, entre elas: Educação, Educação matemática, Linguística e Literatura, Psicologia, Saúde Pública e História. Cada área se mantém atuante através de seus pesquisadores e alunos em suas diversas linhas de pesquisa. Vários projetos vêm sendo desenvolvidos pelo grupo, entre eles: Tradição oral: reminiscências das Religiões Africanas na Literatura, Diversidade Cultural: uma nova era na trajetória da arte literária, Lendo e reconstruindo a identidade: um estudo sobre a literatura infanto-juvenil junto aos alunos do Ensino Fundamental II das Comunidades quilombolas da região do Agreste Meridional.
Em novembro de 2007, este grupo de pesquisa promoveu nas dependências da Universidade de Pernambuco – campus Garanhuns, com o apoio financeiro da FACEPE, o curso Introdução à cultura africana dos países de Língua portuguesa para professores do Ensino público da Região do Agreste Meridional. O curso foi ministrado em 40 horas, pelos professores doutores Valdemir Zamparoni, da Universidade Federal da Bahia, e Tania Celestino de Macedo, da Universidade de São Paulo. Teve uma grande repercussão e houve solicitação por parte dos professores-alunos para que tivesse continuidade.
Em 2008, o Núcleo de Estudos sobre África e Brasil venceu a concorrência de um Edital da SECAD/MEC – Programa Formação para a Diversidade, para promover um Curso de Aperfeiçoamento para as Relações Étnico-Raciais, na modalidade à distância, que foi realizado em 2009, tendo uma grande repercussão em todo o Estado. Em novembro de 2012, na semana da Consciência Negra, a professora doutora Inocência Mata, da Universidade de Lisboa, proferiu a palestra De convergências e diálogos entre as literaturas em Português: uma perspectiva histórica.
Nos últimos anos, além de fóruns e palestras promovidos pelo NEAB, vários professores realizaram seus doutorados vinculados às temáticas afro-brasileiras. Além disso, muitos estudantes da graduação, orientados pelos pesquisadores do NEAB, concluíram seus cursos elaborando seus TCCs com essas temáticas. E, recentemente, os seus membros elaboraram um projeto de um Curso de Especialização em Ensino de Culturas Africanas, da Diáspora, e dos Povos indígenas, na modalidade a distância, que terá início no próximo ano. Além disso, vários projetos vêm sendo desenvolvidos nas comunidades quilombolas que fazem parte do município de Garanhuns.
O Núcleo de Estudos sobre África e Brasil foi criado pela emergência do desenvolvimento de estudos e pesquisas que investiguem o processo de educação de professores e estudantes afro-descendentes. Pesquisas que explicitem a profícua relação das questões étnico-raciais com a situação de exclusão social da população afro-descendente no Brasil e, as especificidades dos processos de ensino-aprendizagem desse segmento da população, fomentando o desenvolvimento de uma educação fundada nos princípios da equidade, da democracia e da inclusão social.
A opção é de ampliar o universo de estudos e pesquisas sobre os afro-brasileiros e indígenas, colaborando com a implantação da Lei nº. 10639, de Janeiro de 2003, complementada pela Lei 11.645 de 2009, alterando a  Lei 9.394, de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes da educação nacional, incluindo no currículo oficial da Rede de Ensino, a obrigatoriedade da temática História e Cultura Afro-Brasileira, bem como, a Cultura Indígena,  nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, públicos e particulares, na perspectiva  de identificar as contradições sociais existentes em nossa sociedade, a fim de combater o processo de desigualdade e injustiça social/racial.
São conhecidas as relações entre os aspectos de etnia/raça e educação, negro e mercado de trabalho que revelam a desigualdade existente entre negros e brancos no Brasil. Dados apresentados pelo IBGE (2000) demonstram que a população negra é a mais pobre e a que menos tem acesso à educação, ao trabalho e aos serviços públicos básicos. Dos analfabetos de 15 anos ou mais, 8,3% são brancos e, aproximadamente 40,6% são negros, sem direito ao exercício da cidadania. É certo que esses dados já devem estar um pouco ultrapassados, uma vez que, nos últimos anos, a criação das cotas raciais nas universidades foi uma forma de suprir esta lacuna; no entanto, o problema ainda está longe de ser resolvido, tendo em vista as Instituições Educacionais ainda não estarem preparadas para isso, o que ainda evidencia a formação étnico-social como determinante a aquisição do capital cultural.
Pernambuco é uma das regiões brasileiras onde o tráfico de escravos foi intenso e, segundo dados da CONAQ – Comissão Nacional de Quilombolas – PE, concentra cerca de 112 comunidades quilombolas.
Frente a esses desafios, as ações do Núcleo de Estudos sobre África e Brasil, da Universidade de Pernambuco, vem preencher uma lacuna que suscita um olhar mais acurado para a congregação dos estudos da cultura das comunidades afro-descendentes e indígenas. Para isso, conta, hoje, com 16 professores pesquisadores trabalhando nas mais diversas áreas e vários alunos, também pesquisadores, procurando se apropriar desse conhecimento para desenvolverem suas pesquisas.
A Universidade de Pernambuco reconhece que a Educação precisa se adequar à diversidade cultural que constitui a cultura de seu país; para tanto criou o NEAB e colocou nos currículos de alguns cursos de graduação, algumas disciplinas dessa área do conhecimento.
Atualmente, seus membros, diante da grande procura pelo curso de especialização em Culturas Africanas, da Diáspora, e dos Povos Indígenas, não somente pela comunidade acadêmica, bem como pelos municípios vizinhos, resolveram transformar este projeto em um projeto de Mestrado Profissional em Culturas Africanas, da Diáspora, e dos Povos Indígenas e está sendo solicitada à CAPES a sua aprovação.

Rua Capitão Pedro Rodrigues, 105
São José – Garanhuns – PE – Brasil
CEP: 55.294-902
https://neabupe.wordpress.com/
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neab.upe@gmail.com

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